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Sobre o livro Despertar, de Sam Harris É enorme a quantidade de puxa-sacos desse Sam Harris. Seja no GR, no SKoob (as resenhas que li são tão rasas quanto o resenhado!). Já assisti a vídeos dele. São de dar sono. Só a minha curiosidade mórbida me impele a ver tudo até o fim. Então quando fiquei sabendo que ele também acha que é escritor, dei logo um jeito de ler esse livro "Despertar". Acho honroso perguntar primeiro e apedrejar depois. Portanto lá vai pedra! O livro pretende ser (apesar de o tempo todo insistir que não é) um guia para os buscadores "espirituais" - palavra que na "desdefinição" de SH (e da cavalgadura morrida chamada Christopher Hitchens) equivale ao frêmito que um apreciador das artes experimentaria ao ver a Mona Lisa. Usuário de droga alucinógena na juventude e agora neurocientista, o homem parece ser A autoridade em matéria de cérebro e mente. Do alto de seus vastos estudos, usando droga e meditando no Himalaia (nossa, que exótico!), a ...
Não basta enfiar a faca, é preciso rodar
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Uma das sutilezas da vida dita civilizada é poder-se matar um sujeito a crédito. Para esta modalidade de crime praticamente não há tipificação penal. Pode-se levar anos a consumar o fato. Mata-se lentamente ‒ como dito, às prestações, aos poucos. Como as tecnologias atuais dão voz a praticamente todos, é possível exercer esse tipo de esporte nefasto mesmo à distância. Com uma conexão de internet fazendo o papel de arco e muitas palavras vagas e cálculos controversos fazendo papel de flechas é possível espicaçar o alvo e atormentá-lo por raiva ou indignação, e ainda posar de bom moço. Ironia e deboche são as setas mais eficazes e certeiras. São delicados requintes de tortura pós-modernos que substituem (não perfeitamente, pois perfeito só Deus!) a gana real que os assassinos de reputação têm de exterminar, extirpar da vida social, em uma palavra feia, “matar” aqueles dos quais, por enquanto, só podem debochar e tripudiar.
O Advogado do diabo
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O atual presidente da República, no início de sua vida política, provavelmente a contragosto, travestiu-se de “sindicalista” da suboficialidade. Proscrito pelos generais da época, evitado pelos antigos colegas de academia, voltou-se para as camadas subterrâneas da hierarquia militar, enxergando naquelas pessoas simples uma peculiar massa de manobra. À custa de pronunciamentos aguerridos, mas bastante embasados, sobre o sucateamento da carreira, perpetuou-se na política como deputado, exercendo mandatos tão inúteis quanto longevos, praticamente graças aos votos de subtenentes, sargentos, cabos e soldados. Posteriormente com uma “ajuda” considerável da cleptocracia petista e do fantasmagórico “partido militar” tornou-se isso que é hoje. Mas como não existe crime perfeito, sempre ficam pontas soltas aqui e ali.